January 10, 2014

A FASHION STORY: PUNK


O movimento punk aconteceu simultaneamente na Inglaterra, principalmente em Londres, e nos EUA, mais precisamente em Nova York, na década de 70. E, mesmo que simultâneo, o movimento possuía facetas particulares em cada lado do atlântico.

Na Inglaterra o movimento punk acontecia sob um viés político. Lá, o punk, diferentemente do que acontecia em Nova York, transgredia regras sociais e protestava contra o governo de forma mais direta e visceral. Na música, a banda Sex Pistols, liderada por Sid Vicious, fazia coro em músicas agressivas que atacavam os valores morais da época. Na moda, a estética punk teve a Vivienne Westwood como precursora, que começou sua carreira fazendo roupas que deram a identidade visual ao movimento. Em Nova York a coisa tinha um caráter mais de anti-tédio à cultura da época. O Ramones era a banda símbolo por lá e o clube CBGB era o cenário principal. O movimento punk na América tinha uma indumentária relativamente básica, num combo que levava junto a calça jeans rasgada, o tênis old school All Star e a jaqueta de couro.

Mas considerando o caráter forte e peculiar da estética punk (ele também ocorre na música, na moda, na literatura, no cinema, nas artes plásticas e no design), o próprio termo, por designar o "faça-você-mesmo", traduz bem o que foi e o que ainda é (alguns irão discordar) o punk. Eu particularmente creio que o punk morreu apenas em forma de movimento político (e talvez na música, logo não tenho competência para afirmar isso também), mas na moda ele continua muito vivo.

Talvez por puro conservadorismo (um paradoxo?) ou também talvez por terem uma visão romântica da ideologia punk, muitos afirmam que o punk já morreu definitivamente ou torcem o nariz para o punk na moda. Mas ora, "punk de grife", porque não? O próprio movimento em si, desde seu início, era estético também. E qual é o problema de uma indústria, que necessita de renovação visual constante, fazer o uso de diferentes movimentos estéticos, incluindo aí o punk? Ainda mais a moda, que tem a responsabilidade de questionar regras o tempo todo. Em resumo, "a influência do punk na moda não é ideológica, mas imagética." Como bem afirma esta crítica (leia aqui) da crítica equivocada da revista Veja sobre a expo "Punk: Chaos to Couture" do Met, em 2013.

Para mim, o mais incrível do punk é o faça-você-mesmo. Dá até para brincar de copiar (e assumir isso, claro) uma grande casa de moda, como eu fiz com essa camiseta na foto acima, copiada da Balmain (veja). Outra coisa que me fascina no punk é a sua transgressão. Porque é muito bom usar a moda para quebrar parâmetros estéticos. Isso pode ser uma filosofia de vida, por que não?


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ENGLISH VERSION

In the 70s, the punk movement took place simultaneously in England, especially in London, and in the USA, specifically in New York. And even simultaneously, the movement had particular facets on each side of the Atlantic . In England the punk movement happened under a political bias. Unlike in New York, it was more about transgressing social rules and protests against the government in a direct and visceral way. In the music scenario, the band Sex Pistols, leading by Sid Vicious, spread in chorus aggressive songs attacking the moral values of that time. In fashion, the punk aesthetic had Vivienne Westwood as pioneer. She began her career making clothes that gave the movement its visual identity. In New York the thing had a such anti-boredom face to the culture of that years. The Ramones was the band symbol and the club CBGB was the main scenario. The punk movement in America had a relatively basic uniform: a combo that brought together the ripped jeans, the old school All Star shoes and leather jacket. But considering the strong and the peculiar character of the punk aesthetic (it also occurred in music, fashion, literature, cinema and design), the term itself, designating the do-it-yourself, well translates what was and what still is (some will disagree ) the punk. I particularly think that punk died only in the political movement form (and perhaps in music, I just do not have jurisdiction to affirm that too), but in fashion it remains very much alive. Perhaps by pure conservatism (a paradox?) or also perhaps by this romantic vision some people have about the punk ideology, many claim that punk is definitely dead and snort at the trendy punk in fashion. But think: punk designers, why not ? The movement itself, since its beginning, was also about aesthetic. And what is the problem in an industry that requires constant visual renovation, making the use of different aesthetic movements, so including punk? Specially the fashion field, which has the responsibility of questioning social rules all the time. In summary "the punk influence in fashion is not ideological, but imagery." This is how this review (read in portuguese here) approaches the misguided criticism of Veja magazine about the Met's expo "Punk: Chaos to Couture" last year. For me, the most amazing deal about punk is this do-it-yourself thing. You can even play of copying (I might say, of course) a large fashion house, as I did with this shirt in the photo above, taking from Balmain (here). Another thing that fascinates me is punk in their transgressions. Because it is very good to use fashion to break social aesthetic parameters. This can be a life style, why not?